sábado, 19 de abril de 2008

The Real Life

Uma comédia romântica com Steve Carell? Uma perspectiva que não augura nada de especialmente positivo. Certo? Bem, não, pelo menos não neste caso. Porque esta é uma quase comédia romântica. E é neste quase que se joga o sucesso do filme. Há humor, mas um humor que, por vezes, chega a ser incómodo. Rimos, mas sentimos que, se calhar, aquilo até não tem assim tanta piada, porque reflecte desespero, desencanto, descontrolo, alguma armagura face a uma vida que teima em escapar ao controlo dos seus protagonistas. Steve Carell faz do seu homem em plena crise de meia-idade, preso à imagem da falecida mulher, às exigências das três filhas e à ilusão de um amor impossível, uma personagem credível, simpática, daquelas que gostamos de gostar. Seguimos o filme por causa dele e torcemos pelo happy ending que sabemos vai acontecer mas, afinal, o que conta é o caminho até lá chegarmos, certo? E Juliette Binoche é uma actriz luminosa, seja em que situação for. Assim, temos um filme que evita os abismos de palermice que uma história destas podia acarretar e até nos esquecemos que tudo aquilo é apresentado sob uma boa camada de açucar e que, talvez, a maioria das personagens não passa de um conjunto de clichés que já vimos muitas vezes... Mas o grupo de actores liga tão bem, faz tudo com tal alegria e gosto que tudo isso é perdoado. Afinal, o realizador, Peter Hedges, sempre é um dramaturgo e as palavras essas, são muito bem tratadas. Em resumo, um bom pequeno filme, aconchegante e terno, excelente para uma tarde de chuva. Os americanos chamam a este tipo de filmes "dramedy", uma mistura de drama com comédia, ou vice-versa, classificação que aqui encaixa perfeitamente. E a vida real é, por vezes, essa mistura de opostos. Já agora, o título português do filme é verdadeiramente inqualificável...

3 Comments:

Blogger 100 remos said...

Na mouche!

20 de abril de 2008 às 11:32  
Blogger Trivialidados said...

Este comentário foi removido pelo autor.

20 de abril de 2008 às 12:34  
Blogger Trivialidados said...

Muito boa crítica, também adorei o filme. Realmente o Steve Carell é sem dúvida um dos melhores actores na terra do tio Sam.Um abraço.

20 de abril de 2008 às 12:36  

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