terça-feira, 29 de abril de 2008

MENSAGEM


Como o próprio nome indica, a Mensagem é uma obra que pretende comunicar ao leitor. Este nome não terá sido a primeira escolha de Fernando Pessoa, mas sim Portugal. Por sugestão do seu amigo Cunha Dias, Pessoa substituiu o nome para evitar que as suas intenções fossem mal interpretadas e tomadas como propaganda política. Foi na Antiguidade Clássica que encontrou o vocábulo que serviu de nome a esta sua obra poética. Segundo a mitologia, Anquises deu a seu filho Eneias a seguinte explicação para o Universo: “ Mens ag(itatmol) em “ que significa “ O espírito move a massa”. Encontramos aqui escondida a palavra que dá título à obra e que se reveste de dupla simbologia: a mensagem a passar será exactamente a crença de que o espírito humano (particularmente o Português) terá a capacidade de fazer mover o mundo.
Fernando Pessoa reconhece os feitos do passado mas sublinha a necessidade de um futuro à altura das capacidades dos Portugueses. O que está feito, feito está. O apelo presente na Mensagem é exactamente o apelo à ousadia, mas desta vez espiritual. Vão-se os anéis, ficam os dedos. As riquezas das conquistas não permanecem para sempre. O que irá permanecer será a cultura em forma de Arte. É este o verdadeiro apelo de Pessoa: um “ Às Armas!” substituído por “ Às Artes!”. Talvez por isso a importância do agora. A Mensagem foi a única obra publicada durante a vida de Pessoa. A crença de que os Portugueses têm uma missão é a maior prova do patriotismo Pessoano. A concretização de um Quinto Império seria a derradeira prova de que Portugal é realmente “Nação valente e imortal"!