sábado, 26 de abril de 2008

So Far So Good

O Best Of de 2008 até agora (apresentado sem nenhuma ordem especial...):

  • The Presets: Apocalypso
  • Ladytron: Velocifero
  • Cut Copy: In Ghost Colours
  • Portishead: Third
  • Kelley Polar: I Need You To Hold On While The Sky Is Falling
  • Beach House: Devotion
  • Hercules & Love Affair
  • Gentle Touch: In Memory Of Savannah
  • Jori Hulkkonen: Errare Machinale Est
  • Jamie Lidell: Jim

Uma boa colheita. E ainda só vamos em Abril...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Candy Shop


Novo álbum da Senhora e, portanto, nova reinvenção. Desta vez com ritmos timbalandianos e o hip-hop e o R&B a espreitarem a cada nota musical. Com Hard Candy Madonna aproxima-se assim das novas tendências musicais urbanas. Não lhe fica mal... mas continuo a preferir o Confessions.
O primeiro single foi o morno "Beat Goes On", que a maioria já deve ter esquecido e que faz parte do alinhamento final do disco. Mas o segundo single já demonstra que apesar da idade, a Material Girl continua aí para as curvas. O contributo do mestre do ritmo, Timbaland himself, e a parceria com Justin Timberlake são uma aposta ganha em "4 Minutes", pequena gema sonora estilizada ao pormenor.
Com tanta gente envolvida na produção do álbum, prespassa ao longo destes 50 e poucos minutos, um agradável ritmo de música de dança o que torna a coisa instantaneamente reconhecível: sim, é a Madonna. Porque embora a Senhora fuja a sete pés do obsoletismo, há coisas que não mudam. "Give It 2 Me" é agradavelmente funk e "Dance 2night" segue pelo mesmo caminho, com o seu ritmo sensual e nocturno.
Depois da loucura para pista de dança de Confessions, a nova sonoridade de Madonna apanha os fãs desprevenidos, mas tudo acaba por ser lhe ser permitido. Não é assim mesmo com tudo o que é bom e de que gostamos?

DAVID LYNCH - GUCCI



David Lynch assina a realização do filme do novo perfume da Gucci. Com a banda sonora a cabo dos Blondie, o filme é uma mistura de curvas e sensualidade, modernismo e luxo.Tudo o que Lynch já nos deu a conhecer nos seus filmes.




David Lynch também é noticia pelo cartaz deste ano do Festival de Cannes. A imagem é de Lynch e o cartaz foi elaborado pelo artista gráfico Pierre Collier.

COMING SOON!

Bret Easton Ellis no grande écran.
Realizado por Gregor Jordan.
Cast impressionante:
Winona Ryder, Billy Bob Thornton, Kim Basinger, Mickey Rourke, Chris Isaak,
Brandon Routh (o Super Homem...)
e Brad Renfro (falecido aos 25 anos em Janeiro deste ano).
Que venha em breve...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Citações, #1

Porque é que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana dizem a verdade? Certamente, não porque um deus proibiu mentir. Mas sim, em primeiro lugar, porque é mais cómodo, pois a mentira exige invenção, dissimulação e memória. Por isso Swift diz: «Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Em seguida, porque, em circunstâncias simples, é vantajoso dizer directamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas; portanto, porque a via da obrigação e da autoridade é mais segura que a do ardil. Se uma criança, porém, tiver sido educada em circunstâncias domésticas complicadas, então maneja a mentira com a mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnância ante a mentira em si, são-lhe completamente estranhos e inacessíveis, e, portanto, ela mente com toda a inocência.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Evolution



Stephen Baxter (1957) é um autor de hard sci-fi cuja marca pessoal é o rigor analítico com que constrói histórias em que, regra geral, são fragmentos da própria história que povoam o espaço normalmente ocupado pelos heróis. Licenciado em Matemática e Engenharias, Baxter não se atém à herança de Poul Anderson, Arturh C. Clarke ou Frederik Pohl, comummente reconhecidos como os fundadores do subgénero - caracterizado por graus de verosimilhança muito elevados, pese embora a ousadia dos temas abordados - e acirra a mente do leitor com toques que fazem lembrar HG Wells ou Olaf Stapledon.

Evolution é uma narração especulativa do processo evolutivo, centrado em cadeias isoladas de DNA, desenrolando-se com ordem fractal, composta por sub-contos em que o protagonismo fica a cargo da evolução em si mesma - um processo auto-replicativo. Ao longo do livro esta ideia Von Neumanniana é recorrente, da brutal ciclicidade eclosão-sobrevivência-morte-eclosão de há 115 milhões de anos, até à extinção final - esperem, não vai haver aqui spoilers até porque ainda não acabei o livro ;)

Marcado a espaços por sequências de capítulos inteiros escritos de forma hiper-realista, barroca, e binariamente (in-humanamente) analítica, Evolution mantém a linha arrojada que Baxter explora em toda a série "Xeelee", a qual culmina com "Ring", obra essencial no género, e onde uma vez mais a simples escala do palco que é usado transcende a imaginação do leitor menos preparado para a coisa.

Evolution é um trabalho de pesquisa impressionante e uma abordagem clinicista ao processo que nos trouxe a capacidade de, por exemplo, escrever este post. É de ler.

Os monstros e nós




Extraordinário o filme que vi ontem (ok, foi sem legendas e perdi algumas das nuances dos diálogos, mas enfim… a download dado não se olha a língua). Adiante.
“Nevoeiro Misterioso” – acho que é este o título português – para além de ser um bom filme de suspense e terror (mas essas considerações deixo para quem percebe mais de cinema do que eu) levou-me de novo ao território que tinha sido também explorado no livro “The Road”: a exposição das pessoas a situações extremas. De novo, um pai a tentar proteger o seu filho por todos (e quando digo todos, foram mesmo todos!) os meios possíveis. A ternura que permanece para além de tudo. Os bichos em que nos transformamos quando nos sentimos em perigo. Os monstros que nos habitam e nos transfiguram. Em suma, as pessoas no seu melhor e pior. Ah, e depois os momentos finais ao som dos Dead can dance. De arrepiar. Ainda não parei de pensar no filme
.