terça-feira, 10 de junho de 2008

Everything In Its Right Place

A edição deste Best Of é obviamente uma manobra de desavergonhada exploração comercial por parte da EMI/Parlophone após a separação com os Radiohead. Nada de novo aqui, apenas a indústria a cavar mais fundo a sua sepultura. Não é o primeiro e não será o último caso. Penso até que os fatos da EMI se devam ter sentido extremamente felizes quando as cópias de In Rainbows começaram a voar via net para os seus destinatários. Apenas valorizou mais o seu espólio de sete álbuns, à espera de ser posto (mais uma vez) a render. Pois bem, perante este CD só há uma coisa a dizer: que se lixe, com música desta nada disto é importante. Além disso, quem quer que tenha sido o responsável pela selecção das faixas mostrou um respeito inesperado pela banda e pelo seu legado. Basta pegar no primeiro disco da edição dupla e ver o alinhamento: Just, Paranoid Android, Karma Police e Creep, de uma vez só, coisa para nos deixar de coração acelerado e sorriso idiota estampado no rosto. Pode ter sido coincidência, mas é um início tremendo, capaz de pôr o ouvinte mais incauto de joelhos e o iniciado a voltar em acreditar em tudo aquilo que fez os Radiohead grandes. Continuando a audição, lá temos todas as grandes canções, arrumadas como por milagre, My Iron Lung, o fabuloso There There, Fake Plastic Trees, Street Spirit (Fade Out) e a entrada na sagrada parceria Kid A/Amnesiac com Idioteque e Everything In Its Right Place (mais a presença de Optimistic, na versão americana) para mostrar o que aconteceu quando a banda resolveu fazer o céu e a terra mudarem de lugar. E o que aconteceu? Bem, basta ouvir Pyramid Song para perceber, só por esta pequena pérola valeria todo o CD, por ela eles estão no Olimpo da música moderna. No segundo CD, a tarefa parece ter ficado a meio, com uma escolha mais limitada e alguns tiros falhados, como se o bom que não coube no primeiro disco não tivesse sido suficiente para encher outros 70 minutos e fosse necessário escolher outros momentos para complemento, escolha essa que deve ter causado alguns problemas… Mesmo assim temos direito a I Might Be Wrong e a outra secção de impressionante força: Exit Music (For A Film), The National Anthem, Knives Out e Talk Show Host. Nada mal, mesmo assim. Um fã dedicado terá todos os discos da banda e as duas raridades que aqui aparecem podem ser facilmente adquiridas (Talk Show Host na BSO de Romeo+Juliet, True Love Waits em I Might BeWrong – Live Recordings), mas digo-vos, ide e comprai, com alegria, com a certeza de que, mesmo com tudo o resto à volta, música desta é difícil de encontrar hoje em dia e só isso importa. Os Radiohead foram e são uma grande banda, com um legado formidável e uma capacidade de renovação e criatividade capaz de desafiar as regras e os modelos de uma indústria formatada e em queda. É ouvir Pyramid Song e ficar a perceber porquê…